Microcefalia

Independente do destino ou motivo, toda grávida deve consultar o seu médico antes de viajar Independente do destino ou motivo, toda grávida deve consultar o seu médico antes de viajar - Frederick Borges/ Governo do Tocantins

A microcefalia não é um agravo novo. Trata-se de uma má formação congênita, em que o cérebro do bebê não se desenvolve de maneira adequada. Neste caso, os bebês  nascem com perímetro cefálico  menor que o normal, que habitualmente é superior a 32 cm. Essa malformação congênita pode ser efeito de uma série de fatores de diferentes origens, como substâncias químicas e agentes biológicos (infecciosos), como bactérias, vírus e radiação, por exemplo.

Relação com Zika Vírus

O Ministério da Saúde confirmou a relação entre o Zika Vírus e um caso de microcefalia na região Nordeste. O Instituto Evandro Chagas, órgão do ministério em Belém (PA), encaminhou o resultado de exames realizados em um bebê, nascida no Ceará, com microcefalia e outras malformações congênitas. Em amostras de sangue e tecidos, foi identificada a presença do vírus zika.

Apesar de ser um achado científico importante para o entendimento da infecção por Zika Vírus em humanos, os dados atuais não permitem correlacionar inequivocamente, de forma causal, a infecção pelo Zika com a microcefalia.

Contudo, os casos registrados no Estado do Tocantins ainda estão sob investigação para confirmação da relação com o Zika Vírus.

Vale ressaltar que a confirmação da ligação com Zika Vírus com este caso reforça o chamado para uma mobilização nacional para conter o mosquito transmissor, o Aedes aegypti, responsável pela disseminação doença.

Sequelas e Diagnóstico 

Cerca de 90% das microcefalias estão associadas com retardo mental, exceto naquelas de origem familiar, que podem ter o desenvolvimento cognitivo normal. O tipo e o nível de gravidade da sequela vão variar caso a caso. Tratamentos realizados desde os primeiros anos garantem qualidade de vida da criança.

Após o nascimento do recém-nascido, o primeiro exame físico é rotina nos berçários e deve ser feito em até 24 horas do nascimento. Este período é um dos principais momentos para se realizar busca ativa de possíveis anomalias congênitas. Por isso, é importante que os profissionais de saúde fiquem sensíveis para notificar os casos de microcefalia no registro da doença no Sistema de Informação sobre Nascidos Vivos (Sinasc).

Também é possível detectar a microcefalia no pré-natal. No entanto, somente o médico que está acompanhando a grávida poderá indicar o método de imagem mais adequado. 

Tratamento 

Não há tratamento específico para a microcefalia. Existem ações de suporte que podem auxiliar no desenvolvimento do bebê e este acompanhamento é preconizado pelo Sistema Único da Saúde (SUS). Como cada criança desenvolve complicações diferentes - entre elas respiratórias, neurológicas e motoras – o acompanhamento por diferentes especialistas vai depender de quais funções ficarem comprometidas.

Estão disponíveis no SUS serviços de atenção básica, especializados de reabilitação, de exame e diagnóstico e  serviços hospitalares, além de órteses e próteses aos casos em que se aplicar.

Há um tipo de microcefalia, a sinostose craniana, que não é a que está tendo aumento do número de casos, por não ser de causa infecciosa, que pode ser corrigida por meio de cirurgia. Neste caso, geralmente, as crianças precisam de acompanhamento após o primeiro ano de vida.

Exames e Acompanhamento 

A partir dos casos identificados no Nordeste, estão sendo realizadas investigações epidemiológicas de campo, tais como: revisão de prontuários e outros registros de atendimento médico da gestante e do recém-nascido. Também estão sendo feitas entrevistas com as mães por meio de questionários. Os casos seguem para investigação laboratorial e exames de imagem como a tomografia computadorizada de crânio.

Período Suscetível na Gestação

Pelo relatado dos casos até o momento, as gestantes cujos bebês desenvolveram a microcefalia tiveram sintomas do Zika Vírus no primeiro trimestre da gravidez. Mas a recomendação de evitar o cuidado com o mosquito Aedes aegypti é para todo o período da gestação.

Orientações às Gestantes

Ministério da Saúde e a Secretaria de Estado da Saúde do Tocantins reforçam às gestantes que não usem medicamentos não prescritos por profissionais de saúde e que façam um pré-natal qualificado e todos os exames previstos nesta fase, além de relatarem aos profissionais de saúde qualquer alteração que perceberem durante a gestação.

Também é importante que elas reforcem as medidas de prevenção contra o mosquito Aedes aegypti, com o uso de repelentes indicados para o período de gestação, uso de roupas de manga comprida e todas as outras medidas para evitar o contato com mosquitos, além de evitar o acúmulo de água parada em casa ou no trabalho. Independente do destino ou motivo, toda grávida deve consultar o seu médico antes de viajar.

Recomendação para Gestores e Profissionais de Saúde

É importante que os profissionais de saúde estejam atentos à avaliação cuidadosa do perímetro cerebral e à idade gestacional, assim como à notificação de casos suspeitos de microcefalia no registro de nascimento no Sistema de Informações sobre Nascidos Vivos (Sinasc). Por ser uma fonte de contato direto com a população, os profissionais também devem reforçar o alerta sobre os cuidados para evitar a proliferação do mosquito da dengue e orientar as gestantes sobre as medidas individuais de proteção contra o Aedes aegypti. Além da notificação no Sinasc, o Ministério da Saúde enviou orientação para que seja feito o registro em uma ficha específica, adotada de maneira excepcional, que traz mais detalhes dos casos que serão investigados.

 

*Página atualizada em 16 de fevereiro de 2016